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De olho no verão

EQUIPE TESTEMUNHA OCULAR

Numa crônica publicada na Folha de S. Paulo em 28 de novembro de 1991, Otto Lara Resende escreveu: “Podem ter tirado a Capital Federal do Rio. Mas verão, verão mesmo, fornalha de cálidas alegrias, isto não tem conversa: é no Rio.”

De fato a estação mais aguardada do ano motiva crônicas, artigos, reportagens. Há quem celebre o sol, há quem reclame do calor, há quem se assuste com as chuvas, há quem festeje a temporada de férias e de praias cheias. Difícil é encontrar alguém indiferente ao período mais quente do ano.

Ao longo do tempo, os fotógrafos convidados do site Testemunha Ocular têm se dedicado a registrar a estação. Nesta reportagem, Ana Carolina Fernandes, Custodio Coimbra, Marcelo Carnaval, Márcia Foletto e Rogério Reis apresentam fotos tiradas por eles em diferentes verões – todos eles passados no Rio, com exceção de uma imagem de Ana Carolina, feita no Rio São Francisco.

Rogério Reis, por exemplo, captou cenas e personagens típicos do verão:

O poeta e catador de latas Sérgio Amaro Vida. Ipanema, verão de 2019. Foto de Rogério Reis
Ipanema. Verão pós-Covid. 2022. Foto de Rogério Reis
Revéillon. Leblon, verão de 2020. Foto de Rogério Reis

Já na série “Ninguém é de ninguém”, Rogério Reis aplica símbolos nos rostos, que ocultam e protegem as pessoas retratadas. Numa entrevista ao site Catraca Livre ele explicou que os banhistas costumam identificar o fotógrafo profissional pelo equipamento. E justificou o uso das tarjas:

– As pessoas olham e falam: “Vou chamar o meu advogado, quero cachê, direito de imagem, vou te processar.” Ao contrário dos anos 1980 e 1990, as relações com os fotógrafos nas ruas tornaram-se mais tensas, perdeu o romantismo. Eu vinha notando na imprensa que toda segunda-feira surgia a mesma foto nos jornais, em que só apareciam os guarda-sóis. Estava engessado pela questão do direito de imagem. Então eu quis criar um personagem e virar um paparazzi dos anônimos na praia. Comecei a fazer as fotos, querendo mais liberdade de fotografar, de frente, bem próximo. Comecei a fazer fotos rápidas, com foco automático, sem a permissão das pessoas. Queria que não percebessem e formassem um conjunto de imagens bem espontâneas. Durante o trabalho, eu fui sofrendo algumas pressões e repressões quando era identificado. Por isso desenvolvi uma cartilha de como fotografar na praia com liberdade com o lema do Bansky “É mais fácil pedir perdão do que permissão”. Imagina você esperar 15 dias para conseguir uma autorização de fotografar do posto de salva-vidas e no dia chover? É mais fácil subir e pedir desculpas depois. As tarjas de censura, muito usadas no jornalismo, foram uma maneira explicita e poética de brincar com as imagens. Tentei buscar o humor no trabalho.

Série “Ninguém é de ninguém”. Arpoador, verão 2014. Foto de Rogério Reis
Série “Ninguém é de ninguém”, com a estátua de Drummond. Copacabana, 2013. Foto de Rogério Reis.

Custodio Coimbra:

Amanhecer no Leblon. Foto de Custodio Coimbra
Árvore de Natal. 2025. Foto de Custodio Coimbra.

Ana Carolina Fernandes fez no verão de 2023 a foto do alto desta página, que mostra pai e filho que vendem mate e biscoito Globo. O pai trabalha há mais de 20 anos no Arpoador. Ele passou a usar a pasta d’água há poucos anos por causa do aumento do calor. Ela também tem outro registro:

Pernambuco, Rio São Francisco, verão 2024/2025. Foto de Ana Carolina Fernandes

Márcia Foletto:

Mar de Copacabana. Verão 2026. Foto de Márcia Foletto

Marcelo Carnaval:

Salva-vidas salta de helicóptero para socorrer vítima de afogamento na Praia de Ipanema. 1990. Foto de Marcelo Carnaval/O Globo

 

A seguir, outras fotos de verão feitas pelos fotógrafos do site Testemunha Ocular:

Moda do stand up no Posto 6. Foto de Custodio Coimbra
Contrastes. Leblon, verão de 2019. Foto de Rogério Reis
Barracas na Praia do Leme. Foto de Custodio Coimbra
Posto 6, Copacabana, verão de 2019. Foto de Rogério Reis
Piscina na quadra de esportes da Cidade de Deus. Fevereiro de 2021. Foto de Ana Carolina Fernandes
Mergulho na piscina do Hotel Copacabana Palace. Foto de Custodio Coimbra
Arpoador. Verão de 2023. Foto de Rogério Reis
Arpoador. Dezembro de 2024. Foto de Ana Carolina Fernandes
Pai e filho vendem mate e biscoito Globo. O pai trabalha há mais de 20 anos no Arpoador. Ele passou a usar a pasta d'água há poucos anos por causa do aumento do calor. Verão de 2023. Foto de Ana Carolina Fernandes.