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Evandro Teixeira e o fotojornalismo hoje

EQUIPE TESTEMUNHA OCULAR

Evandro Teixeira saiu de Irajuba, povoado a 307 quilômetros de Salvador, para fotografar o Brasil e ganhar o mundo. Nascido em 1935, ele tem uma trajetória que se confunde com a do país.

Em quase 70 anos de atividade, 47 deles no Jornal do Brasil, registrou o golpe militar de 1964 e as manifestações estudantis de 1968, eternizou em imagens icônicas Pelé e Ayrton Senna, acompanhou a visita da Rainha Elizabeth e do papa João Paulo II ao país, documentou fome e pobreza, mas também carnaval e festas populares. Política, esporte, moda, comportamento, nada escapou às suas lentes. É dono ainda de uma produção autoral importante, na qual se destaca o projeto sobre Canudos.

Esse conjunto monumental feito por Evandro ao longo do tempo, com mais de 150 mil fotos, está desde novembro de 2019 sob a guarda do Instituto Moreira Salles (IMS).

João Butão e seus cabritos. Canudos, BA, 1994. Foto de Evandro faz parte da série “Canudos 100 anos”

 

Seminário repassa obra de Evandro e o fotojornalismo nos dias atuais

O legado do fotógrafo baiano estará em debate no seminário “Evandro Teixeira – O fotojornalismo hoje no Brasil e no exterior”, que ocupa o Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAM-RJ)  neste dia 5 de novembro.

O seminário, organizado pelo site Testemunha Ocular e pela Coordenadoria de Fotografia do IMS, em parceria com o MAM, será ao mesmo tempo uma homenagem a Evandro (1935-2024) e uma oportunidade para discutir os rumos do fotojornalismo, em meio a desafios como a Inteligência Artificial.

A primeira mesa reúne os fotojornalistas Rogério Reis e Gabriela Biló, e o jornalista Flávio Pinheiro, idealizador do Testemunha Ocular. Eles vão contar histórias e curiosidades sobre Evandro, além de falar sobre a influência do fotógrafo em suas carreiras.

A segunda mesa tratará dos arquivos fotográficos de imprensa e seu potencial de informação e documentação sobre a história do país, com a participação do museólogo e biblioteconomista Alexandre Delarue, da historiadora Maria do Carmo Rainho e do jornalista e escritor Mauro Ventura, editor do Testemunha Ocular.

O terceiro encontro abordará a relevância dos fotógrafos populares oriundos das periferias, com a presença de Bruno Itan, FOTOGRACRIA e Monara Barreto. A mediação é da fotógrafa e professora Barbara Copque.

E o último debate discorrerá sobre o fotojornalismo e a IA, mais especificamente sobre como as ilustrações por algoritmo introduzem novas questões e desafios não somente para a fotografia documental e para o fotojornalismo como também para os próprios campos da fotografia e da cultura contemporânea em geral. O bate-papo, mediado por Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS, contará com a participação do professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) Michele Pucarelli e do reitor emérito da Escola do Centro Internacional de Fotografia (ICP), Fred Ritchin (online).

A sedução de Evandro

Na mesa inicial, Rogério Reis vai lembrar de quando conheceu Evandro, em 1977, ao chegar à redação do Jornal do Brasil como estagiário:

– Na primeira vez em que fui para as ruas, acompanhei-o numa reportagem em Ipanema. Naquele dia, aprendi que o fotógrafo precisa ser ousado e saber conversar para deixar claros seus objetivos. Eu, tímido, pensei em desistir da profissão. Além do talento, a sedução foi uma parte importante do repertório do Evandro para conseguir boas fotos. Com o passar do tempo, Evandro e eu nos tornamos amigos dentro e fora do ambiente de trabalho. Com ele, aprendi a gostar de comida nordestina, a levar passarinho para passear e a andar de carro sem destino, só para ouvir música e observar a vida em movimento. Viajamos juntos e dividimos bons projetos.

Evandro Teixeira e Rogério Reis no ano 2000: amizade e influência profissional

 

Flávio Pinheiro, por sua vez, falará da convivência profissional com Evandro, em dois momentos de sua carreira. Em sua primeira passagem pelo Jornal do Brasil, entre 1977 e 1978, e depois a partir de 1985 até 1990.

– É possível resumir os 70 anos de trabalho como fotojornalista de Evandro Teixeira da seguinte forma: a imagem é a notícia. Evandro transformou-se numa legenda da profissão. Houve muitas noites como editor-executivo do jornal em que fechei a primeira página. Se Evandro estivesse numa cobertura importante na rua era promessa de foto muito boa na capa do jornal. Evandro trouxe da Bahia um riso solar, sagacidade, um jeito malandro e um olho absoluto, onipresente, que pressentia notícia. Sempre dizia que fotógrafo tem que contar com a sorte. Acho que a sorte é que sempre o procurou.

Evandro Teixeira na Copa do Mundo do Chile em 1962: olhar onipresente

 

Já Gabriela Biló, um dos destaques da nova geração de fotojornalistas brasileiros, vai falar de como as fotos de Evandro ainda repercutem na cobertura da política hoje. E vai apresentar o ensaio com que conquistou este ano o prêmio Gabo de Jornalismo, na categoria fotografia. A escolha do preto e branco foi inspirada em uma resposta às fotos dele.

Da mesma forma que Evandro retratou a ditadura militar, Biló concorreu com o trabalho “Como sobrevivem as democracias”, com os bastidores do julgamento que resultou na condenação, em 2025, do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Palácio do Planalto destruído após invasão dos golpistas. Folha de S.Paulo. Gabriela Biló. 9/1/2023. Foto faz parte da série premiada

 

Diários Associados e Correio da Manhã

Na segunda mesa, Alexandre Delarue, responsável pelo inventário e processamento técnico do arquivo dos Diários Associados do Rio de Janeiro, falará sobre seu trabalho. Ele discorrerá sobre o arquivo dos Diários, que tem aproximadamente 1 milhão de documentos fotográficos – são mais de 700 mil fotografias em papel e mais de 300 mil negativos e cromos – cobrindo um período que vai de 1915 até 2006.

O conjunto contém registros feitos para os veículos “O Jornal”, comprado por Assis Chateaubriand em 1924; para o “Diário da Noite”, fundado em 1929 pelo próprio Chateaubriand; e para o “Jornal do Commercio”, criado em 1827 e adquirido em 1959. Trata-se de uma parte importante da memória visual de imprensa do Brasil e do mundo. O arquivo passou a integrar o acervo do Instituto Moreira Salles em 2016. Entre as fotos estão as que retratam a Jovem Guarda.

Para organizar e processar esse acervo, garantindo ao público o acesso adequado à informação e à documentação visual histórica do fotojornalismo, foram adotados procedimentos de conservação e mitigação de riscos em larga escala. Alexandre vai falar como é feita essa conservação, que se dá em várias etapas (organização, inventário, higienização, ações de conservação preventiva, acondicionamento e guarda em reservas técnicas com controle ambiental de temperatura). Depois vem a codificação, a digitalização, a catalogação e os meios de difusão, como o site Testemunha Ocular.

Wanderléa, Roberto Carlos e Erasmo, apresentadores do programa “Jovem Guarda”, que estreou há 60 anos. Acervo Diários Associados.

 

Mauro Ventura mostrará alguns exemplos de como esse material é aproveitado no site. Uma das reportagens, publicada por ocasião das chuvas que devastaram o Rio Grande do Sul, em 2024, lembrou um episódio que deixou marcas profundas na história da região: a enchente de 1941. Cerca de 70 mil pessoas ficaram desabrigadas – quase um quarto dos 272 mil moradores da capital. Foram 22 dias de chuvas ininterruptas, que espalharam pânico e desespero. A cidade ficou sem energia elétrica, um terço dos estabelecimentos comerciais e das indústrias fecharam as portas por 40 dias, as aulas foram suspensas e as escolas se transformaram em abrigos improvisados. Oitenta e três anos depois os problemas continuavam.

Página do site Testemunha Ocular com a matéria sobre enchente de 1941 que afetou Porto Alegre

 

Maria do Carmo Rainho, por sua vez, falará do acervo do Correio da Manhã, jornal matutino, diário, editado na cidade do Rio. Fundado por Edmundo Bittencourt, em 15 de junho de 1901, foi administrado por Paulo Bittencourt entre 1929 e 1963 e por Niomar Moniz Sodré Bittencourt, de 1963 a 1969. O jornal deixou de circular em 7 de junho de 1974 e seu título foi leiloado em 1977.

Pesquisadora do Arquivo Nacional, onde chefia a Divisão de Pesquisa para Difusão, ela abordará este veículo que foi, durante grande parte de sua história, um dos principais órgãos da imprensa brasileira, destacando-se como um jornal independente, de tradição legalista e oposicionista em diversos momentos da vida política do país.

O arquivo do jornal inclui 362.181 fotografias, 470 mil negativos, 21 mil ilustrações, 1.000 desenhos, 50 cartazes, 150 cartões postais, 3.838 caricaturas, cinco filmes, 22 plantas. Além do material produzido pelo próprio jornal, o acervo custodiado pelo Arquivo Nacional conserva fotografias de agências internacionais, fotos de divulgação de peças teatrais e de filmes nacionais e internacionais, material produzido pela Agência Nacional.

Maria do Carmo Rainho
Corso na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, década de 1930. Foto: Bueno. Correio da Manhã, Arquivo Nacional

 

O olhar que vem da periferia

Na terceira mesa, sobre os fotógrafos populares, Monara Barreto vai partir da experiência do programa Imagens do Povo, do Complexo da Maré, para falar de como os olhares produzidos a partir das periferias contribuem para ampliar as narrativas sobre esses territórios, já que partem de experiências, vivências e relações construídas por quem vive nesses locais.

– Por conta disso, essas imagens vão além das representações frequentemente associadas à violência e à carência, revelando a diversidade de histórias, culturas, afetos, cotidianos e formas de organização que constituem esses lugares, além de afirmar o protagonismo de seus moradores na construção de suas próprias narrativas – diz ela, que é gestora do acervo fotográfico digital do Imagens do Povo.

Monara Barreto
Monara Barreto - Luzes do Alemão. Noite no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro.
Luzes do Alemão. Noite no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro. Foto de Monara Barreto.

Já Bruno Itan vai apresentar seu trabalho, que transita tanto pelo dia a dia mais ameno das favelas como pelas operações policiais que impactam a vida dos moradores. Morador da Rocinha, ele criou no Complexo do Alemão o projeto social Olhar Complexo, que oferece aulas práticas e teóricas de fotografia gratuitas a crianças e jovens da favela.

– A gente fotografa não com o olhar de um fotojornalista que sai de uma redação e vai fotografar a operação numa comunidade, e sim como uma pessoa que mora e vive aquela realidade. Então eu busco o meu olhar sempre para isso, sabendo o quanto aquela população também está sofrendo com aquela operação policial. Mesmo sendo arriscado, a gente sabe que é importante ter esse olhar de alguém que vive aqui e conhece aquela realidade de perto.

Bruno Itan
Bruno Itan fotografou a operação mais letal da história do Rio, nos complexos da Penha e do Alemão

 

Salem, que adota o nome artístico de FOTOGRACRIA, procura investigar “identidade, autoestima e pertencimento favelado” por meio de fotografia, colagens, instalações, cartografias e esculturas 3D.

Nascida e criada na Rocinha, ela se dedica também em seu trabalho a retratar as origens desse “território tão atravessado pela colonialidade e processos de apagamento histórico”.

– No seminário, pretendo costurar esse paralelo entre a preservação da identidade e memória  periférica e a construção de um imaginário futuro por meio da fotografia popular. Enfatizar a importância do arquivo junto com a produção de novas imagens a partir do protagonismo de quem vive o território.

A fotógrafa Salem
“Avuador”, de Salem, a FOTOGRACRIA. Identidade, autoestima e pertencimento favelado

 

Os desafios da fotografia frente às imagens sintéticas

Na última mesa, Sergio Burgi vai conversar com o professor da UFF Michele Pucarelli e com Fred Ritchin. O americano tem quatro livros publicados sobre o futuro da imagem. O mais recente se chama “The synthetic eye: photography transformed in the age of AI” (“O olho sintético – a fotografia transformada na era da IA”, em tradução livre). Ritchin, que é escritor, educador, curador e crítico de fotografia, observa que em 1840, um ano após a invenção da fotografia, o pintor Paul Delaroche exclamou: “A partir de agora, a pintura está morta.” Afinal de contas, a fotografia oferecia um meio de representação mais rápido e acessível, que conseguia ser muito mais realista do que a pintura.

Mas assim como a fotografia permitiu que os pintores do século XIX se tornassem mais ousados, explorando novas abordagens, como o impressionismo, o cubismo, o minimalismo e o expressionismo abstrato, os fotógrafos atuais enfrentam um desafio semelhante, que é o de reinventar seu meio em um mundo onde as imagens sintéticas reescrevem as regras. A fotografia, há muito considerada testemunha e prova do real, passa agora por uma profunda metamorfose sob a crescente influência dos sistemas de IA generativa.

Ritchin. Foto de Joshua Irwandi

Várias questões são levantadas por ele no livro “The synthetic eye” (capa abaixo), tais como: podemos acreditar ou confiar nas imagens que nos são mostradas? Qual é o papel dos fotógrafos, da mídia e das empresas de tecnologia na preservação da autenticidade das fotografias? As imagens sintéticas podem ser utilizadas para aprimorar nossa compreensão do mundo?

Ir além de simplesmente ver

Segundo o jornalista Mark Athitakis, Ritchin aponta duas direções. “Uma é ser mais deliberado ao fornecer contextos em torno das imagens.” No livro, Ritchin cita seu próprio conceito de “Four Corners”, em que uma imagem online fornece informações sobre sua história, autoria, links e imagens relacionadas. “É um começo — se as pessoas tiverem paciência para se envolver com isso —, mas exige trabalho extra por parte do fotógrafo”, diz Mark.

Uma segunda opção é abandonar o campo do documentário para “investigar outras formas de preservar o poder [das imagens]”, como escreve Ritchin. Um exemplo disso é o “The Blue Skies Project”, de Anton Kusters, no qual ele fotografou, com Polaroids, o céu acima de todos os campos de concentração nazistas na Europa. Diz Mark: “O projeto reconhece que fotos diretas do Holocausto podem se tornar entorpecedoras com o tempo; em vez de apontar para a brutalidade e a morte, o trabalho destaca a vida e a resiliência. Sua recontextualização inerente reconhece as falhas do fotojornalismo convencional e atenua o poder da IA, que só pode se basear no passado, não inventar um futuro. Ele também é imperfeito, mas a imperfeição deve ser um objetivo mais elevado para a fotografia atualmente. Uma fotografia não pode mais nos pedir simplesmente para ver. Teremos que imaginar.”

Ritchin ilustra seu livro mais recente com várias imagens sintéticas, que foram geradas por sistemas de inteligência artificial em resposta a prompts de texto criados por ele, como é o caso abaixo.

“Românticos – marcianos apaixonados”. Imagem sintética gerada pelo DreamStudio em resposta ao prompt de texto de Ritchin inspirado na obra de Virginia Woolf. 2023.

 

Michele Pucarelli sintetiza o que vai estar em jogo no seminário:

– A mesa propõe uma reflexão decisiva ao articular o pensamento pioneiro de Fred Ritchin sobre a imagem eletrônica ao atual caráter disruptivo e violento da IA generativa, cuja proliferação de simulacros corrói o pacto de credibilidade da grande imprensa e o estatuto de verdade dos fatos. Frente a essa desestabilização da realidade, o fotojornalismo e a fotografia documental assumem um papel ético e político incontornável: afirmar a Soberania Visual, garantindo a integridade da memória histórica e a autonomia da narrativa dos territórios e de seus personagens contra a expropriação do real, reafirmando o fotodocumentarismo como a âncora material indispensável diante das crises do nosso tempo.

 

Serviço

Seminário “Evandro Teixeira – O fotojornalismo hoje no Brasil e no exterior”

Data: 5 de novembro de 2026, quinta-feira

Local: Auditório da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ)

Organização: Sergio Burgi e Mauro Ventura – Coordenadoria de Fotografia e site Testemunha Ocular/IMS

Programação

Das 9h40 às 11h10 | Mesa 1
O legado autoral na produção do fotojornalismo, a partir da trajetória, obra e arquivo do fotógrafo Evandro Teixeira

Das 11h30 às 13h | Mesa 2
A importância da preservação e difusão pública dos arquivos fotográficos de imprensa como fonte de informação e documentação visual histórica

Das 14h30 às 16h | Mesa 3
O papel dos fotojornalistas de mídia alternativa que criam e produzem a partir das comunidades periféricas

Das 16h20 às 18h30 | Mesa 4
O fotojornalismo e a fotografia documental hoje, frente ao panorama de profundas transformações no campo da fotografia, da comunicação eletrônica e da grande imprensa

Às 19h | Filme
“Evandro Teixeira. Instantâneos da realidade.” Dirigido por Paulo Fontenelle.

As filhas de Evandro, Adryana Almeida e Carina Almeida, estarão presentes nas cerimônias de abertura e de encerramento do evento.

Mais informações no site do Instituto Moreira Salles. As inscrições para o seminário esgotaram-se em poucos dias, demonstrando o carisma e o talento do homenageado e a importância do tema do fotojornalismo hoje.

“Baionetas e libélulas”. 21/5/1966. Foto de Evandro Teixeira

A seguir, mais fotos dos participantes do seminário:

"Abeguar, Embaúba, pioneira, Dois Irmãos na região do Piraguá", foto de Salem, a FOTOGRACRIA
"Eu amo baile funk!", foto de Salem, a FOTOGRACRIA
Comício de João Goulart. Recife, setembro de 1963. Correio da Manhã, Arquivo Nacional
Torcida do Fluminense Futebol Clube no Maracanã, s.d. Correio da Manhã, Arquivo Nacional
Operação Contenção: barricada erguida pelo tráfico para evitar a passagem da polícia. Foto de Bruno Itan
Projeto Vidançar, no Complexo do Alemão. Foto de Bruno Itan
Monara Barreto - "Turma da Praca" de Marechal Hermes, suburbio do Rio de Janeiro. 2023
"Turma da Praça" de Marechal Hermes, subúrbio do Rio de Janeiro. 2023. Foto de Monara Barreto.
Imagem sintética gerada pelo DreamStudio em resposta ao prompt de texto de Ritchin “Uma fotografia das bruxas de Salem em julgamento”. 2023