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Olhar atento sobre a contemporaneidade

EQUIPE TESTEMUNHA OCULAR

Um dos mais longevos e tradicionais festivais de fotografia da América Latina, o FotoRio apresenta no Centro Cultural da Justiça Federal, no Centro do Rio, sua nova edição, mantendo o compromisso com a pluralidade de olhares e o intercâmbio global.

São nove exposições, com mais de 180 obras, entre fotos e vídeos, que reúnem artistas do Brasil e de outros países da América Latina e da Europa tratando de temas como identidade, ancestralidade, justiça social, meio ambiente e reinvenção dos corpos. As mostras exploram múltiplos campos da fotografia, do documental ao performativo, do político ao poético.

Milton Guran, fotógrafo, antropólogo e um dos coordenadores do festival, que existe há 22 anos, comenta:

“Nesta edição de 2025, o FotoRio lança um olhar atento sobre temas centrais da contemporaneidade: pertencimento identitário, memória social e política, diversidade cultural, conflitos civilizatórios, sororidade e, por fim, a tragédia — infelizmente recorrente — da guerra. Cada exposição nasce de uma ação fotográfica singular: da documentação de fatos noticiosos à fotografia como instrumento de resistência, passando pela experimentação no campo das artes visuais. Reunimos autoras e autores com trajetórias distintas, mas com excelência estética e conceitual.”

Além das exposições, a programação traz atividades paralelas que aprofundam o diálogo com o público e fortalecem a troca de conhecimentos entre artistas e pesquisadores.

 

Exposições:

1. Mulheres: identidade e meio ambiente — Uma cartografia sensível”

Artistas: Alice Pallot, Karen Paulina Biswell, Caroline Tabet, Sophie Zénon, Flora Nguyen

Curadoria: Jean-Luc Monterosso e Ioana Mello

Descrição: Explora vínculos entre identidade e meio ambiente, com poética sensível e crítica, integrada à Temporada França-Brasil

 

2. “O povo leva! O povo leva! – O funeral de JK”

Artista: Juvenal Pereira

Curadoria: Milton Guran

Descrição: Documenta o velório de Juscelino Kubitschek em Brasília (1976), revelando a comoção popular e momentos de tensão política

 

Dia do funeral de JK em Brasília, a 22 agosto de 1976, Foto de Juvenal Pereira

 

 

3. “Sóis Negros/Soleils Noirs”

Artistas: Nathyfa Michel, Karl Joseph, Marc-Alexandre Tareau, OJOZ, NouN & T2i, Dayfe, Billy

Curadoria: Ioana Mello & Paul-Aimé William

Descrição: Fotógrafos afrodescendentes e bushinengues (descendentes de africanos escravizados que escaparam das plantações) da Guiana exploram resistência cultural, identidade e memória. Eles difundem, de maneira sensível, matérias, tecnologias, estilos, saberes, formas e expressões, unificando assim os projetos de autodeterminação das comunidades negras. Faz parte da Temporada França – Brasil

Identidade, memória e resistência cultural: mostra “Sóis Negros”, de fotógrafos da Guiana. Foto de Dayfe

 

 

4. “Vale night”

Artista: Aleta Valente

Curadoria: Pulo Marques de Mendonça Lima e Milton Guran

Descrição: Mães do Rio registram suas próprias experiências de liberdade numa noite de diversão enquanto a artista vai até suas casas e cuida de seus filhos. As imagens são apresentadas em projeção e impressas, com trilha sonora. Este projeto surge da observação de como a maternidade é retratada na publicidade, no cinema e na cultura midiática em geral. Frequentemente, as mães são apresentadas como seres unidimensionais, existindo apenas para cuidar de seus filhos, em detrimento de seus próprios desejos

 

5. Como olhar junto

Artista: Luiza Baldan

Descrição: Videoinstalação que investiga afetos, memórias e paisagens da Cova do Vapor, em Portugal

Mostra “Como olhar junto”. Videoinstalação da artista Luiza Baldan na Cova do Vapor, em Portugal. Foto de Francisco Baccaro

 

6. “Nego fugido – Memórias Quilombolas”

Artista: Nicola Lo Calzo, fotógrafo e pesquisador italiano radicado em Paris

Curadoria: Ioana Mello

Descrição: Projeto documental sobre resistência negra na Bahia, unindo história e poética visual. Anualmente, na comunidade quilombola de Acupe, na Bahia, acontece o nego fugido, performance ritualística que encena a luta por emancipação dos escravizados. Nicola, artista-pesquisador, revela um lado silenciado da história, que não se expressa nos livros, mas nos corpos, nos gestos, nos cantos e nos rituais. Faz parte da Temporada França – Brasil

 

7. “Altinha”

Artista: Tanara Stuermer

Curadoria: Milton Guran

Descrição: Fotografia performativa que ressignifica gestos de jogadores de altinha nas praias do Rio de Janeiro. Diz Guran: “Com Tanara a altinha foi mais longe, ganhou emoção, encantamento e fez o jogo expressar uma identidade própria da cultura carioca. Bastariam as fotos, mas ela foi mais além, combinando, superpondo e atravessando cenas e gestos uns com outros, criando, assim, um novo jogo verdadeiramente encantado”

Tanara Stuermer ressignifica movimentos de altinha nas praias do Rio

 

 

8. “Khisêtjê – Terra é vida – Hwykha ra anhïntwa mberi”

Artistas: Kamikia Khisêtjê, Renan Khisêtjê (autor da foto do alto da página) e Sâksô Khisêtjê

Descrição: Denúncia fotográfica dos impactos do agronegócio sobre o território do povo Khisêtjê do Xingu (MT)

As antigas fazendas de pecuária se transformaram em extensos campos de soja contíguos ao limite da Terra Indígena Wawi. Foto de Renan Khisêtjê

 

Queimada na terra indígena dos khïsêtje, no Mato Grosso. Foto de Kamikia Khïsêtje

 

A aldeia indígena dos khïsêtje sob o céu estrelado. Foto de Renan Khisêtjê

 

 

9. “10 anos de guerras sem fim”

Artista: Gabriel Chaim

Curadoria: Paulo Marcos de Mendonça Lima e Fernando Costa Netto

Descrição: Série documental sobre conflitos armados no Oriente Médio — com destaque para o conflito israelo-palestino e para as cidades devastadas na Síria — e na Ucrânia, a mostra reflete sobre memória, violência e os efeitos sociais da guerra. Com um olhar atento e profundamente humano, Gabriel Chaim nos conduz às realidades complexas que marcaram a história recente. Suas fotografias, ao mesmo tempo potentes e sensíveis, revelam não apenas a brutalidade da violência, mas também a força da resiliência humana. A exposição é um convite à empatia, à reflexão crítica e ao reconhecimento da dignidade que resiste mesmo nos cenários mais desoladores.

Foto de Gabriel Chaim da mostra “10 anos de guerras sem fim” sobre conflitos armados

 

 

Eventos:

 1. “Rede de Fototecas”

Descrição: Roda de conversa sobre criação de fototecas estaduais com Mônica Maia (presidente da REDE), Dep. Est. Dani Balbi, Lais Almeida (Funarte) e Bruno Bou Haya. Mediação: Paulo Marcos

Local: Centro Cultural da Justiça Federal

Data: 11/09, às 18h

 

 2. “Exposição Geografias do Corpo – Visita guiada”

Artistas: Alair Gomes, Ba Rosalinsk, Demian Jacob, Fedoca Lima e Kurt Klagsbrunn

Curadora: Gabriela Toledo

Local: Casa Proeza, Rua do Ouvidor, 26 – Centro

Data: 13/09, às 15h

 

3. “Viver no Alasca”

Descrição: Relato de Luciana Whitaker sobre sua experiência no Alasca

Local: Centro Cultural da Justiça Federal

Data: 17/09, às 18h

 

4. “Fotolivro – lançamento da coleção Rosa Brava”

Descrição: Lançamento e roda de conversa com curadores e autoras Ana Dalle, Vedome, Juliana Corsi e Juliana Monteiro, e participação de Helena Rios e Marcelo Greco. Editora Vento Leste

Local: Centro Cultural da Justiça Federal

Data: 14/10, às 18h

 

5. “O povo leva! O povo leva! – O funeral de JK”

Descrição: Conversa com o fotógrafo artista Juvenal Pereira, que revisita a cobertura histórica do funeral de JK

Local: Centro Cultural da Justiça Federal

Data: 22/10, às 18h

 

Serviço:

Exposição: FotoRio 2025

Local: Centro Cultural Justiça Federal – CCJF

Período: 10/9 a 8/11 de 2025

Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro (Rio)

Horário de visitação: Terça a domingo, 11h às 19h

Entrada gratuita

Classificação etária: Livre

 

Exposição "Sóis negros": resistência das vidas afrodescendentes. Foto de Dayfe
Foto de Gabriel Chaim na exposição "10 anos de guerras sem fim"
O mineiro Juvenal Pereira documentou o velório de JK em 1976
Foto de Ojoz, fotógrafo e videomaker nascido na Guiana e baseado em Paris: "Sóis negros"
Tanara Stuermer combina, superpõe e atravessa cenas e gestos de jogadores de altinha
Obra da francesa Flora Nguyen, com a árvore e a casa tingidas de laranja
Foto de Dayfe na mostra "Sóis negros": retratos cuidadosamente compostos mostram corpos negros em trajes tradicionais, iluminados com precisão
"Vale Night", projeto de Aleta Valente: mães registram suas experiências de liberdade
O povo indígena khisêtjê: mostra "Terra é vida" faz denúncia fotográfica sobre os impactos do agronegócio. Foto de Renan Khisêtjê