De olho no verão
EQUIPE TESTEMUNHA OCULAR
Numa crônica publicada na Folha de S. Paulo em 28 de novembro de 1991, Otto Lara Resende escreveu: “Podem ter tirado a Capital Federal do Rio. Mas verão, verão mesmo, fornalha de cálidas alegrias, isto não tem conversa: é no Rio.”
De fato a estação mais aguardada do ano motiva crônicas, artigos, reportagens. Há quem celebre o sol, há quem reclame do calor, há quem se assuste com as chuvas, há quem festeje a temporada de férias e de praias cheias. Difícil é encontrar alguém indiferente ao período mais quente do ano.
Ao longo do tempo, os fotógrafos convidados do site Testemunha Ocular têm se dedicado a registrar a estação. Nesta reportagem, Ana Carolina Fernandes, Custodio Coimbra, Marcelo Carnaval, Márcia Foletto e Rogério Reis apresentam fotos tiradas por eles em diferentes verões – todos eles passados no Rio, com exceção de uma imagem de Ana Carolina, feita no Rio São Francisco.
Rogério Reis, por exemplo, captou cenas e personagens típicos do verão:



Já na série “Ninguém é de ninguém”, Rogério Reis aplica símbolos nos rostos, que ocultam e protegem as pessoas retratadas. Numa entrevista ao site Catraca Livre ele explicou que os banhistas costumam identificar o fotógrafo profissional pelo equipamento. E justificou o uso das tarjas:
– As pessoas olham e falam: “Vou chamar o meu advogado, quero cachê, direito de imagem, vou te processar.” Ao contrário dos anos 1980 e 1990, as relações com os fotógrafos nas ruas tornaram-se mais tensas, perdeu o romantismo. Eu vinha notando na imprensa que toda segunda-feira surgia a mesma foto nos jornais, em que só apareciam os guarda-sóis. Estava engessado pela questão do direito de imagem. Então eu quis criar um personagem e virar um paparazzi dos anônimos na praia. Comecei a fazer as fotos, querendo mais liberdade de fotografar, de frente, bem próximo. Comecei a fazer fotos rápidas, com foco automático, sem a permissão das pessoas. Queria que não percebessem e formassem um conjunto de imagens bem espontâneas. Durante o trabalho, eu fui sofrendo algumas pressões e repressões quando era identificado. Por isso desenvolvi uma cartilha de como fotografar na praia com liberdade com o lema do Bansky “É mais fácil pedir perdão do que permissão”. Imagina você esperar 15 dias para conseguir uma autorização de fotografar do posto de salva-vidas e no dia chover? É mais fácil subir e pedir desculpas depois. As tarjas de censura, muito usadas no jornalismo, foram uma maneira explicita e poética de brincar com as imagens. Tentei buscar o humor no trabalho.


Custodio Coimbra:


Ana Carolina Fernandes fez no verão de 2023 a foto do alto desta página, que mostra pai e filho que vendem mate e biscoito Globo. O pai trabalha há mais de 20 anos no Arpoador. Ele passou a usar a pasta d’água há poucos anos por causa do aumento do calor. Ela também tem outro registro:

Pernambuco, Rio São Francisco, verão 2024/2025. Foto de Ana Carolina Fernandes
Márcia Foletto:

Marcelo Carnaval:

A seguir, outras fotos de verão feitas pelos fotógrafos do site Testemunha Ocular:

