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EM FOCO

Nilton Claudino

Corumbá, MS, 1958
EQUIPE TESTEMUNHA OCULAR

Nilton Claudino, o Niltinho, nasceu em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, em 1958. Estudou em colégio de padres e achou que seguiria a carreira religiosa. Tudo mudou quando saiu de sua terra para tentar a sorte no Rio de Janeiro.

Em 1977, começou a trabalhar como mensageiro da sucursal carioca da Veja. Passou para a tesouraria, até que foi promovido a produtor da revista, com tarefas que incluíam pesquisas e envio do material dos fotógrafos para a sede, em São Paulo. Transferiu-se mais tarde para a Placar. Na revista, aprendeu as técnicas do ofício no laboratório e acompanhando o trabalho de profissionais como Ricardo Chaves, o Kadão, Rodolfo Machado e J. B. Scalco. Num determinado fim de semana de 1986 em que não havia um fotógrafo disponível, pegou a câmera e foi registrar um jogo do Campeonato Brasileiro. Também conhecido como Índio, ele não parou mais.

Em 1990, com o fechamento da revista, foi trabalhar no Jornal do Brasil, veículo onde conquistou reconhecimento profissional e prêmios internacionais. Em 1992,  foi trabalhar no jornal O Dia, onde foi editor de fotografia por seis anos. Ganhou menção honrosa no prêmio Vladimir Herzog com a foto “Na mira da lei”, depois de morar, com o repórter Aloísio Freire, por duas semanas na favela da Maré, investigando denúncias sobre o chamado Comando Azul, um grupo de policiais militares que atuavam como justiceiros e cometiam atrocidades contra bandidos e moradores.

Outra situação de risco ele viveu em Capitán Bado, no Paraguai. Num depoimento à revista “Piauí”, ele narrou: “Acompanhado de um guia, chegara a uma grande plantação de maconha e começara a fotografar com uma minicâmera quando percebi a aproximação de traficantes. Escondi a máquina na cueca e peguei uma abóbora enorme. Disse que estava roubando para comer. Sob a ameaça de fuzis AR-15, eu e o guia, que falava guarani, levamos um tempão negociando a liberdade. Foi um susto que não me impediu de assumir outra pauta arriscada: passei 28 dias viajando em uma investigação sobre o tráfico de cocaína para o Brasil, a partir da Bolívia. O que mais me impressionou ali foi a miséria e o trabalho escravo de crianças nas plantações de coca.” Pela série “Da folha ao pó: conexão Bolívia-Brasil” ele foi premiado pela Sociedad Interamericana de Prensa.

Mas para além das mazelas também virou mestre em retratar as belezas do Rio. Niltinho participou de vários desfiles de carnaval e eventos esportivos, como Copa do Mundo, Olimpíada, Mundial de Vôlei e Copa América de futebol.

Também ganhou outros prêmios, além do Vladimir Herzog, como Rey da Espanha, prêmio internacional Interpress Photo (prata e bronze), OAB do Rio Grande do Sul (menção honrosa) e prêmio Abril de Jornalismo.

Durante a carreira, fotografou para livros como “Grandes clubes brasileiros”, “Flamengo”, “Memórias de um secretário, pautas e fontes” e “Zico 70”. Fez parte ainda do documentário “Abaixando a máquina”, que acompanha o cotidiano de fotojornalistas do Rio. Também esteve no documentário “Tim Lopes – Histórias de Arcanjo” e na série documental “Onde está Tim Lopes?”. Niltinho diz que o incentivo para o jornalismo investigativo veio justamente do amigo Tim, com quem trabalhou na Placar, no JB, no Dia e na Rede Globo.

Atualmente Niltinho tem fotografado por conta própria, nas inúmeras viagens que faz, a locais como Cidade do Cabo (África do Sul), Fez, Casablanca e Marrakesh (Marrocos), deserto do Saara, Cairo (Egito) e Cartagena (Colômbia).  As fotos podem ser vistas na sua página no Instagram, @niltonclaudino1958.

 

Clique nas fotos da galeria para ver as imagens completas e as legendas.

Tom Jobim ensaia junto com Dorival Caymmi em sua casa, na véspera de um show no Arpoador. Jornal do Brasil. 1992