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A bola está com elas

EQUIPE TESTEMUNHA OCULAR

A seleção brasileira feminina de futebol busca seu primeiro título, com o início nesta quinta-feira, dia 20 de julho, da 9ª Copa do Mundo. São 32 equipes que se enfrentam na maior Copa da história, disputada pela primeira vez em dois países: Austrália e Nova Zelândia. Na edição anterior, eram 24 times.

O mundial marca a despedida de Marta. Aos 37 anos, a camisa 10, eleita seis vezes a melhor do mundo, é a maior artilheira da história – no Mundial da França, em 2019, ela atingiu a marca de 17 gols no torneio. A brasileira já foi fotografada inúmeras vezes por dois fotojornalistas que têm páginas dedicadas a seu trabalho no site Testemunha Ocular: Cris Mattos e Antonio Milena.

Uma das vezes foi nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, no estádio de Wembley.

– Nas Olimpíadas, não é a gente que escolhe a posição que vai ficar no campo. Depende do ingresso que lhe dão, e seja o que Deus quiser. No jogo contra Marrocos, dei sorte – lembra Milena. – Fiquei na lateral do gramado, perto da grande área, para onde o Brasil atacava. Marta tem a característica de pegar a bola no meio de campo e partir em direção ao gol. E ela vinha sempre de frente para mim.

Em setembro de 2021, Cris registrou Marta e Debinha no momento em que comemoram um gol num amistoso contra a Argentina, na Paraíba, vencido pelo time brasileiro por 4 a 1.

– É uma foto muito significativa, pois representa duas grandes gerações do esporte: Marta, um ícone, e Debinha, uma grande promessa. Fiquei emocionada demais, pois ainda não tinha tido a oportunidade de fotografar Marta na seleção.

Debinha atua pelo Kansas City Current, nos Estados Unidos, e vai disputar a Copa pela segunda vez. A seleção brasileira, treinada pela sueca Pia Sundhage, faz sua estreia no dia 24, contra o Panamá, às 8h, em Adelaide. Na sequência, enfrenta a França, no dia 29, e fecha a participação na fase de grupo contra a Jamaica, no dia 2 de agosto. Até hoje, a melhor campanha da equipe foi o vice-campeonato em 2007 na China, quando perdeu a final para a Alemanha. Outro feito foi a prata na Olimpíada de Pequim, em 2008. A final acontece no dia 20 de agosto, no Estádio Olímpico de Sydney.

Cris tem o costume de fotografar tanto o futebol feminino como o masculino. Ela compara os dois:

– O masculino tende a ser mais físico, com jogadas mais rápidas, enquanto o feminino é mais técnico e estratégico. Isso pode afetar o ritmo e a intensidade do jogo.

Ela diz que a vaidade das jogadoras chama sua atenção, e rende boas fotos de detalhes.

– Muitas delas jogam de batom, pintam as unhas de acordo com o time em que estão jogando e mantêm os cabelos sempre muito arrumados. No entanto, meu objetivo sempre foi o mesmo: capturar a essência do jogo, independentemente do gênero. Cada partida, tanto no futebol masculino quanto no feminino, oferece oportunidades únicas de fotografia.

Já Milena não é especialista em futebol. Ele já esteve em cinco Olimpíadas, mas faz o que chama de “clínica geral”, ou seja, dependendo da pauta do dia é escalado para cobrir determinado esporte. Nos Jogos de Londres, quando fotografou a seleção feminina, tratou de mirar as jogadoras mais destacadas.

– Eu estava sempre com a lente apontada para Marta, e também para a Formiga.

Ele também fala sobre a diferença entre fotografar as duas seleções, na beira do gramado.

– A disposição, raça e vontade com que elas correm e disputam a bola é impressionante. E a alegria quando comemoram gol é muito mais espontânea que a da seleção masculina.

Além de Marta, outra veterana do time brasileiro é Tamires, lateral do Corinthians que participará pela terceira vez do Mundial.

Ao longo de sua carreira Cris apontou sua lentes para jogadoras famosas e, principalmente, anônimas. Ela começou a cobrir futebol feminino em 2017, quando foi convidada pela Federação Mineira de Futebol para registar a Copa BH.

– Vi o quanto as meninas apostavam nesse sonho do futebol e percebi que elas mereciam mais atenção. A maioria delas trabalhava durante o dia e se reunia à noite para treinar.

Não havia outros fotógrafos, e ela tratou de dar o máximo. Diante da boa repercussão, continuou acompanhando os jogos Brasil afora.

–  Eu sempre chegava nos jogos como se estivesse fotografando uma final de Copa do Mundo. Sentia que minha presença ali era muito importante. As meninas nunca tinham tido uma foto profissional. Havia uma carência de divulgação, de patrocínio e de atenção, e eu tive o privilégio de poder estar presente ali. Foi muito gratificante poder capturar uma parte da história da vida delas.

Ao longo dos anos, ela acompanhou competições como a Copa Sul-Americana Sub-20, a Copa Sul-Americana Sub-17, a Copa América Feminina e a Copa América de Futsal. Nas Olimpíadas do Rio, em 2016, teve a oportunidade de fotografar também outras seleções que não a brasileira. Por falta de patrocínio, não vai conseguir cobrir a Copa atual. Mas diz que vai continuar “apostando em seu sonho”, ou seja, acompanhando de perto o futebol feminino.

A jogadora Tamiris durante o amistoso entre Brasil e Argentina no Almeidão, em João Pessoa, na Paraíba. Foto de Cris Mattos
As duas camisas 10 em jogo do Brasil contra Marrocos nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Foto de Antonio Milena
As jogadoras da seleção feminina recebem o troféu de campeãs da Copa América Feminina 2022, na Colômbia. Foto de Cris Mattos
Jogadoras da seleção feminina celebram com a técnica Pia Sundhage o título de campeã da Copa América Feminina de 2022, na Colômbia. Foto de Cris Mattos
As jogadoras brasileiras comemoram dançando no jogo contra Marrocos, nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Foto de Antonio Milena
Geyse comemora seu gol durante o amistoso entre Brasil e Chile no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Foto de Cris Mattos
Detalhe das tatuagens de Debinha. Uma delas faz referência às Olimpíadas do Rio. Foto de Cris Mattos num amistoso entre Brasil e Argentina no Almeidão, em João Pessoa
Marta durante o jogo contra Marrocos nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Foto de Antonio Milena
Marta nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, na partida contra Marrocos. Foto Antonio Milena